Precisamos de tempo, para ter tempo.

Talvez seja melhor nem ter um tempo, se o utilizamos mal. Podemos dispensar algo que não nos favorece.


PRECISAMOS DE TEMPO, PRA TER TEMPO.

A metade da minha manhã era engolida só para ligar meu primeiro computador. E pior, eu ia almoçar, deixava imprimindo e ao retornar, não terminou. Mas isso eram os anos oitenta.

Depois a tecnologia foi andando. Hoje temos pequenos dispositivos que reduzem uma manhã de trabalho para cerca de vinte minutos.

Que ótimo! Ganhamos tempo, esforço e dinheiro. Ganhamos vida. Agora podemos viver mais. Nos dedicar a fazer o que quisermos.

Todos vão concordar que temos uma vida melhor com essa tecnologia toda. Um viver mais fácil.

Imagem de antigo relógio de bolso da marca Roskopf.

Bom, mais ou menos. Tem algo de errado nesse raciocínio. Afinal, cada vez tenho menos tempo e uma lista maior de afazeres. Pois é, o próprio Tempo anda rápido demais.

Por outro lado, você vai argumentar que também nós fazemos tudo com mais rapidez. É, estamos na era do acelerado. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. Fervendo.

Então, eu digo que não é importante a velocidade. Tampouco é importante o tempo que nos sobra. O vital é o que fazemos com o tempo que poupamos. Se utilizamos estes momentos para fazer outras coisas que nos enfiaram, no final não ganhamos nada.

Talvez seja melhor nem ter um tempo, se o utilizamos mal. Ou seja, algo que não nos favorece, podemos dispensar.

A própria velocidade, esta que tanto valorizamos, pode não servir para nada. De fato, rapidez não significa sempre uma vantagem. Depende muito do destino final. A questão não é saber se vamos rápido, mas pra onde estamos indo.

Veja se não é verdade, por exemplo, já falava o escritor, se estamos indo no caminho do inferno, é melhor que se vá devagar, até retrocedendo um tanto de quando em quando.

Isso de tecnologia já nos empurra para a rapidez, para ganhar tempo continuamente. Portanto, o segredo é sermos donos do nosso Tempo e não escravos da tecnologia e de suas necessidades constantes.

E olhe que isso nem é tão pouca coisa como possa parecer. É autonomia, autodeterminação. Mesmo que em marcha lenta.


Áudio: Trabalhos técnicos de Ricardo Lima – RÁDIO UEL.

Acesse outro post da Coluna O COTIDIANO.

SUGESTÃO DE LEITURA:

Foto do livro PONTE SOBRE O DRINA de Ivo Andric'.
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