Nascido dia 3 de março de 1943 na Tijuca, zona norte do Rio, Jards Anet da Silva se mudou ainda menino para Ipanema, na zona Sul. Foi lá que passou a ser chamado de “Macalé”, uma “homenagem” ao pior jogador do Botafogo à época. O apelido famoso virou praticamente o sobrenome do compositor, cantor, violonista, arranjador e produtor musical.
Jards Macalé fez show no encerramento da 11a edição do Londrix, o Festival Literário de Londrina, dia 13 de setembro de 2015, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis. A banda londrinense Abacate Contemporâneo fechou o show do artista. Foi a primeira aparição pública da banda, que iniciou suas experimentações musicais no ano anterior.
Em entrevista gravada pelo então estagiário Bruno Petri – hoje assessor de comunicação da Unimed Londrina -, ele comentou sobre a carreira e as interpretações de suas músicas que se traduziam em surpresa para ele mesmo.
A convivência com gerações mais jovens também foi tema da conversa. Macalé contou a Petri que sua banda era formada por músicos na faixa etária entre 20 e 30 anos. E que isso lhe proporcionava, além da troca de experiências, aprendizado sobre o que os mais jovens andavam escutando.
Refletiu, ainda, sobre democracia, caretice e a velocidade das notícias via Internet naquele ano de 2015, que ajudava a acirrar as discussões.
Jards vem de uma família musical. A mãe era pianista e o pai acordeonista. Eles o levavam frequentemente a concertos de música erudita. Assistiu maestros como Villa-Lobos e Guerra Peixe e, com esse último, estudou orquestração. Também estudou composição, violão, violoncelo e análise musical.
Apelidado de “maldito” pela crítica, foi boicotado nos anos 1960 e 1970, mas teve reconhecimento tanto por seu jeito de cantar e tocar quanto pela voz dos intérpretes que gravaram suas músicas.
Jards Macalé partiu dia 17 de novembro de 2025, aos 82 anos, no Rio de Janeiro.
Com informações do jornal “O Globo” e também do Itaú Cultural. A foto de Jards Macalé é de Guito Moreto.