O enigma da inutilidade

O enigma é que eu não posso lhe entregar as respostas que você espera; tampouco você quer a pergunta que eu não tenho.

Nervos expostos

São Francisco em metal, por Edmilson Duarte, São Francisco de Paula, RS.

Apenas uma cachoeira de instantes desperdiçados na água salgada da semana.

A fome da caçamba

Casa rural de madeira ao redor do lago.

Nas caçambas de demolição cabe quase tudo, só não cabe mesmo saudades. Pois as caçambas não têm essa sensibilidade.

A língua da velha

Ouvidos quietos dão origem a bocas pobres. Ouvir histórias movimenta a criatividade.

Ninguém quis ver

Uma pitada de violência de gênero, de experiência de pobreza, privilégios e genealogia. Pouca, porque a realidade já contêm o suficiente e ninguém quis ver.

O óbvio sepultado está

Na selva de modismos, esquecemos o óbvio, mas no final o que vai restar é o fundamental, a nossa humanidade.

O chap-chap no assoalho

Tatsuya Tanaka, em exposição no Japan House SP, ago23.

A imaginação vai criando expedientes para reviver as pessoas queridas que perdemos pelo caminho.

Corre-corre

As crianças querem brincar, nós adultos é que já não queremos nos incomodar com um tempo de qualidade para elas.

Um amontoado de carnes

Instalação fotografada no FAMA, Itú - SP, dez/19.

Mesmo que não tenhamos respeito pela vida, a morte ainda desfruta deste olhar atento.

A força da suavidade

“E hás de adormecer nos meus joelhos… E os meus dedos enrugados, velhos, Hão de fazer-se leves e suaves…”

Os que vem de lá

Brasileiros bonzinhos que somos, deixamos outros povos roerem nossos restos. E nos vangloriamos disso.

A batalha dos sapos

Um garotinho precisar estar preparado para a luta, mesmo que seja com bombas de jabuticabas explosivas.

Só a verdade.

Os meus melhores textos não são os que você ouviu. São aqueles que rasguei ainda no dia em que os escrevi.

O dono do corpo

Ah, se meu corpo fosse meu. Então eu teria controle sobre cada pedacinho dele. Mas não tenho poder nenhum.

Salve a bobeira

Hoje sou um chato, mas pode ser que algum dia os chatos passem a ser os legais da história.